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Nipah: Índia decretou lockdown; o que sabemos sobre o vírus e qual o risco para o Brasil

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A Índia decretou lockdown em algumas regiões para evitar uma grande infestação do vírus Nipah (NiV) informada na quarta-feira (13/09), que já é um antigo conhecido dos cientistas. Escolas e comércios foram fechados no país após a confirmação de cinco casos e duas mortes, e as autoridades aconselharam que as pessoas não transitem até autorização.

O que é o vírus Nipah e qual o risco para o Brasil
Placa informa que zona possui contaminados com o vírus Nipah. Imagem: Reuters

Esse vírus foi descoberto em 1999, quando foi responsável por espalhar doença em porcos e pessoas na Malália e Cingapura. Nessa ocasião, quase 300 casos de infecção por esse vírus foram confirmados e mais de 100 pessoas morreram. Para conter a epidemia, mais de 1 milhão de porcos foram abatidos, o que causou um grande impacto na economia desses países.

Apesar de aparecer na mídia global após os casos recentes da Índia, o Nipah é responsável por surtos recorrentes nesse próprio país e também em Bangladesh. Como grande parte dos vírus, o Nipah é passado de pessoa para pessoa (via saliva, urina e outros fluídos corporais), e devido o impacto da pandemia de Covid-19, a atenção ao NiV foi redobrada para evitar uma nova contaminação global.

De acordo com o CDC (Centers for Disease Control and Prevention / Centros de Controle e Prevenção de Doenças), que é uma agência do Departamento de Saúde e Serviços Humanos dos Estados Unidos , o NiV é classificado como um vírus zoonótico, transmitido entre os animais e pessoas. Sua família é a Paramyxoviridae e seu gênero é Henipavirus. Seu hospedeiro habitual é o morcego frugívero do gênero Pteropus, conhecido popularmente como raposa voadora por ser a maior espécie, é comum nas ilhas costeiras da África, Ásia e Oceania e se alimenta de frutas.

Mesmo que o morcego Pteropus não se alimente de sangue, o que ocasionaria a contaminação direta, os porcos e humanos podem ser contaminados ao entrarem em contato com sua saliva ou urina, por exemplo.

Nos humanos esse vírus efeta principalmente o sistema respiratório e o sistema nervoso central. Em muitos casos, os sintomas são leves e até inexistentes, porém a morte ocorreu entre 40% a 70% das pessoas contaminadas em surtos que ocorreram de 1998 (quando o vírus ainda não tinha sido identificado) até 2018. Essa grande taxa de mortalidade está ligada ao fato de que ainda não existe remédios ou vacinas que combatam o vírus, com isso, os tratamentos se concentram apenas nos sintomas.

Entre os principais sintomas está a dor muscular; febre; dor muscular; dor de garganta; vômito; sonolência; alterações da consciência e encefalite aguda (inchaço no cérebro) que pode causar alterações neurológicas. Após a conteminação, os sintomas costumam aparecer entre 4 até 14 dias, porém há casos que eles iniciam em até 1 mês e meio.

O vírus Nipah pode chegar ao Brasil?

Atualmente há pouco risco de que o vírus Nipah chegue ao Brasil, porém mesmo assim as autoridades governamentais do Brasil e de outros países precisam ficar atentos. Alguns especialistas deram seus pontos de vista para a BBC. Segundo Fernando Spilki, virologista da Universidade Feevale, do Rio Grande do Sul, é preciso que pessoas contaminadas com o vírus e quem convive com eles sejam acompanhadas de perto.

“O mais importante está justamente em rastrear os pacientes e os contatos próximos deles, para evitar que uma pessoa com vírus se desloque para outros locais e crie novas cadeias de transmissão”, disse o virologista.

Helena Ferreira, que é médica veterinária e presidente da Sociedade Brasileira de Virologia, informou que a contaminação com o Nipah está concentrada nas regiões onde o morcego Pteropus é encontrado.

“Atualmente, todos os casos relatados estão relacionados às regiões geográficas onde são encontrados morcegos que carregam o vírus. Por isso, o Brasil não tem um risco atual para a introdução do Nipah”, disse ela.


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