
Imagina que você está na rua ao meio-dia, sob um sol forte. Você tira o celular do bolso para ler uma mensagem e… não enxerga nada. A tela se transforma em um espelho escuro, e você precisa procurar uma sombra para conseguir ler.
O culpado por essa situação frustrante? A falta de nits.
Nos últimos anos, os “nits” viraram uma nova grande disputa de marketing entre as fabricantes. Você vê anúncios como “pico de 2.000 nits!” ou “tela mais brilhante do mercado!”. Mas o que esse número realmente significa? E mais importante, um número maior sempre resolve o problema do sol?
Neste guia, vamos decifrar essa medida de luminância, expor o “truque” do marketing por trás dos números gigantes e dizer quanto de brilho seu celular e demais dispositivos móveis realmente precisa para ser confortável de usar no dia a dia.
Significado de nits
De forma direta, nits são uma unidade de medida para o brilho da tela.
O nome técnico é “candela por metro quadrado” (cd/m²), e na indústria, os nits são medidos por um luminancímetro. Diferentemente de outros nomes, nit não é uma sigla. O nome dessa unidade de medida vem do latim nitere, que significa “brilhar”
Pense em Nits como a “potência” de uma lâmpada. Quanto mais Nits uma tela de celular tem, mais “potência” de luz ela consegue emitir. Essa potência é o que permite que a luz da tela “vença” a luz do ambiente, como o sol, e continue legível.
- Uma tela de TV ou monitor de computador comum tem entre 250 a 350 nits, o que é ótimo para ambientes internos.
- Um celular, que é usado em ambientes externos, precisa de muito mais.
Pico de nits vs. nits de uso real (O “truque” do marketing)
Aqui é onde você precisa prestar atenção. O número gigante que as marcas anunciam (como 2.000, 3.000 ou até 4.000 Nits) quase nunca é o brilho que você usará para ler o WhatsApp na rua.
Existe uma diferença importante entre dois tipos de brilho, que veremos a seguir.
1. Pico de brilho (Peak Brightness)
Este é o número GIGANTE do marketing. Ele é real, mas só é atingido em condições extremamente específicas, como ao assistir a filmes ou séries em alta definição (HDR10+, Dolby Vision) na Netflix, YouTube, etc.
Pode ocorrer em pequenas áreas da tela, para dar impacto a reflexos ou explosões, acendendo apenas uma pequena porcentagem dos pixels ao máximo. Além disso, o pico ocorre por um curto período, pois a tela não consegue sustentar esse brilho por muito tempo.
Resumindo: o pico de brilho é fantástico para multimídia, mas não é o brilho que seu celular usa no dia a dia sob o sol.
2. Brilho típico (ou HBM – High Brightness Mode)
Este é o número que realmente importa para o uso no sol.
O HBM (Modo de Alto Brilho) é o brilho máximo que a tela inteira consegue atingir e sustentar quando o sensor de luz do celular detecta um ambiente externo muito claro.
Quando você sai no sol e o brilho automático sobe ao máximo, é o HBM que está em ação. O problema? Esse número é sempre menor que o “pico de brilho” e muitas marcas “esquecem” de divulgá-lo, preferindo focar no número maior do marketing.
Quantos nits são suficientes para um celular?
Ok, então quantos nits de HBM (brilho real) você precisa?
- Abaixo de 400 nits: ruim. Esse é o nível de celulares de entrada muito antigos. É quase impossível de usar fora de casa, mesmo na sombra.
- 400 – 600 nits: Aceitável. É o padrão de muitos celulares de entrada atuais. Você vai conseguir usar na sombra, mas vai sofrer um pouco sob o sol direto, tendo que procurar ângulos mais confortáveis.
- 600 – 800 nits: Bom. A maioria dos bons celulares intermediários se encontra aqui. Você consegue usar no sol sem grande esforço, mesmo que a visualização não seja perfeita.
- 800 – 1000 nits (HBM): Ótimo. Era o padrão de topos de linha de alguns anos atrás e hoje se encontra em intermediários-premium. Esse nível de brilho é confortável na maioria dos cenários.
- Acima de 1000 nits (HBM): Excelente. Padrão dos celulares topo de linha atuais. A tela fica perfeitamente legível mesmo sob o sol forte do meio-dia ou na praia.
Nits e o consumo de bateria
O brilho da tela é, de longe, o componente que mais gasta bateria no seu celular. Usar o celular no modo HBM (brilho máximo no sol) vai drenar sua bateria em uma velocidade assustadora.
Esse gasto é ainda mais complexo dependendo da tecnologia da tela. Como explicamos em nosso guia completo sobre IPS LCD vs. AMOLED (OLED), painéis AMOLED gastam mais energia para exibir telas brancas em brilho máximo, que é o cenário comum ao navegar na web ou em redes sociais.
Por isso, caso você necessite utilizar o celular com brilho máximo por longos períodos, é bom ter uma tomada próxima para recargas extras durante o dia.
O que levar em conta na hora da compra?
O número de nits é, sim, um indicador muito importante da qualidade da tela. Mas agora você entende além do marketing. Na hora de comprar seu próximo celular, não se impressione apenas pelo “pico de nits” de 2.000 ou 3.000. Procure saber (seja no review ou na ficha técnica detalhada) qual é o brilho HBM ou Típico da tela.
Para uma boa experiência de uso, prefira celulares que possuam pelo menos 600 nits de brilho HBM, e idealmente acima de 800 nits para uso sem preocupações.
Ficou alguma dúvida sobre nits? Deixe nos comentários qual o brilho do seu celular atual e se você sofre com ele no sol!

Sou apaixonado pela tecnologia e acompanho de perto as grandes transformações dos computadores, smartphones e demais aparelhos inteligentes. Por isso, estou sempre atrás das novidades na área, especialmente sobre produtos. Aqui no TeorTech, uni essa paixão com meu gosto por escrever, também alimentado pelos quase 15 anos de experiência em criação de sites, para ajudar os visitantes na descoberta tecnológica.
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